


Ouvi de alguém bem próximo a meu coração que minha foto careca (a única que possuo) é a foto mais horrorosa que tenho.
Não concordo em absoluto, mas só consegui expô-la após vencer todas as etapas do tratamento.
Admiro mulheres que assumem a careca, mas definitivamente essa não era minha postura diante de olhares de crianças e adultos ainda cheios de curiosidade, preconceito e tabu.
Por todo o processo escondi minha careca de todos, exceto de filhos, marido e um vizinho que me via pela janela da cozinha.
Estar sem cílios, sobrancelhas e cabelo , além de inchada me fazia irreconhecível, mas não menos vaidosa e feminina.
Os turbantes, lenços , brincos e maquiagem foram meus aliados para enfrentar o espelho e a nova realidade que se apresentava sem deixar escolha.
Hoje encaro minha foto como o retrato da minha fragilidade diante da crueldade do tratamento a que me submeti, afim de lutar pela vida.
Escolher viver é escolher enfrentar desafios e o maior deles não é o diagnóstico, medicamentos, agulhas, efeitos colaterais, etc , esses passam.
O maior desafio é aceitar mudanças, sejam externas ou internas .
Definitivamente não sou a mesma mulher! As mudanças externas foram passageiras, porém as internas foram profundas e vieram para ficar!
Me encasulei em Cristo e foi Ele quem me transformou por dentro, me dando a certeza do seu amor ainda que eu estivesse no meu pior momento, foi ele quem esteve a todo o tempo minimizando minhas dores e sofrimentos, Ele nunca se importou com minha aparência, ele sempre me enxergou pelo coração!
Que aprendamos amar pela essência, como Cristo!