TRIUNFALISMO

Muitos jargões  retratam a soberba espiritual latente  no seio evangélico.
“Eu tenho a marca da promessa.”
“Fui escolhido no ventre da minha mãe.”
“Sou calda e não cabeça.”
Eu também cria assim . Me considerava intocável, superior espiritualmente, uma supercrente.
Descobri que estava errada, numa manhã ensolarada e regada a lágrimas de uma amiga e irmã de fé.
Estávamos nos preparando para um teatro evangelístico no pré vestibular que frequentávamos, e Simone chorava copiosamente. Me disseram que seu pai, um pastor presbiteriano, após tê-la deixado no cursinho havia sido esfaqueado no centro da cidade numa tentativa de assalto.
Imediatamente orei por ela decretando que ele estava bem e profetizando só coisas boas.Senti um suor frio e um vazio nas minhas palavras, como se elas não passassem do teto.
Sua mãe e seu irmão passaram  para buscá-la e levá-la ao hospital. Imediatamente após o automóvel
se distanciar, a diretora do cursinho nos disse:- Ao chegar ao hospital, Simone receberá a notícia do falecimento de seu pai. 
Fiquei extremamente chocada, passavam muitas interrogações na minha mente e coração. Como pode um pai de família, crente, pastor, homem de bem, abençoado no ministério, amado, necessário, ser morto dessa maneira? Ah! Deveria haver algo de errado com ele ou com sua fé!
Hoje, 20 anos mais tarde, tenho a certeza de que não havia nada de errado com ele ou com sua fé. Simplesmente ele era  ser humano e seres humanos morrem.
Era um pai de família como muitos outros que tem suas vidas ceifadas pela violência no trânsito, nos centros urbanos, na vida.
Era um crente como muitos outros com suas fraquezas, debilidades , mas com a certeza da salvação.
Era um pastor como muitos outros que trabalham em obediência a vocação divina que receberam
Era um homem de bem como muitos outros íntegros que são atingidos por fatalidades.
Era amado e necessário e continuará sendo amado e necessário em muitas ocasiões por seus familiares.
O jargão que deveria marcar o seio evangélico, não é o do triunfalismo, mas o da graça “sou apenas um mendigo contando a outros mendigos onde encontrou pão” (.George Whitefield, o pregador metodista)
O soberbo triunfalismo tem impedido a identificação das pessoas com a mensagem da graça salvadora, tem criado um atalho  perigoso que afasta as pessoas do caminho da eterna gratidão a Deus. 




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