“Quero trazer à memória o que me pode dar esperança. As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade. A minha porção é o SENHOR, diz a minha alma; portanto, esperarei nele.” Lamentações 3.21-24
Cada manhã traz motivos de gratidão a Deus e novas oportunidades de conhecê-Lo.
Lembranças dos ensinos, aprendizados, correções, encorajamentos, manifestações, livramentos, interferências sobrenaturais, desafios de fé, experiências diretas com Deus.
As memórias espirituais são renovação de esperança no Senhor.
Eu era uma criança, não maior de sete anos, quando entrei no quarto de minha avó. Ela estava assentada na cama de seu quarto, de costas para a porta e tinha em suas mãos a bíblia aberta. Me aproximei passo a passo olhando fixamente para um aro de luz que flutuava sobre sua cabeça. Sentia um ímpeto de colocar minhas mãozinhas no aro, mas o temor sobrepunha minha curiosidade . Então perguntei: – Vovó, que luz é essa em cima da sua cabeça? E ela calmamente me olhou e respondeu: – tem uma luz, minha filha?
Vovó tinha uma vida muito atribulada de desgostos com seus filhos e eu era sua companheirinha nos cultos de oração durante a semana.
Cresci ouvindo a Palavra de Deus, frequentando igrejas, vendo expulsão de demônios, ouvindo das maravilhas de Deus, vendo a fé da minha avó, assimilando os testemunhos e aprendendo os hinos que ela cantava ao lidar nas tarefas domésticas.
Ela era muito simples, tinha apenas o primário, mas era sábia e muito coerente em sua fé.
Vovó me levou na casa de uma amiga e lá conheci a netinha dela, brincamos a tarde toda. Durante a semana a menininha foi submetida a uma cirurgia de adenoide e infelizmente faleceu. Eu também tinha indicação de cirurgia, pois minha respiração era muito incômoda às pessoas que conviviam comigo. Eu estava com data de cirurgia marcada, porém vovó orou por mim e fui curada, desmarcando a cirurgia agendada.
Desenvolvi vida de oração a Deus e me sentia muito amada por Ele. No afã de levar esse amor adiante, eu sempre tinha folhetinhos evangelísticos e os distribuía onde ia.
(1987)Visitei uma ex-colega de escola e soube que sua mãe estava internada devido a um câncer avançado. Pedi a ela que me dissesse em qual hospital ela estava, pois iria visitá-la, mas senti uma resistência. Melissa não me falou onde sua mãe estava.
Aos quinze anos de idade eu fazia visita aos hospitais no domingo e em determinado dia, meu companheiro de evangelismo não pode ir. Pedi então a minha avó para me deixar ir sozinha em algum hospital próximo de nossa casa e ela permitiu.
Fui então ao Hospital Vera Cruz. Quando os visitantes puderam entrar, eu subi as escadas, andei até o fim do corredor e entrei no último quarto à direita. Qual a minha surpresa? No primeiro leito da enfermaria, estava a mãe da minha colega e ela própria.
Seu olhar me questionava: – Quem te contou?
Li o texto de 2 Coríntios 4.17,18, preguei a Palavra e orei com ela. E durante aquela semana, ela faleceu.
Em dois episódios, deixamos de ir ao hospital, para que Deus nos levasse onde quisesse.
No primeiro deles, enquanto esperava meu parceiro de evangelismo, eu comecei a folhear uma revista cristã que falava sobre relacionamento no casamento. Fomos então impulsionados a ir para a Pracinha São Vicente, uma praça no bairro Padre Eustáquio em BH. Saímos do carro e nos deparamos com um casal e seu filhinho.
Joel fez um comentário: – Que família bonita!
Eles olharam assustados e perguntaram: Vocês acham mesmo? Estamos separando!
Então os aconselhamos separadamente, fomos até a casa deles e os direcionamos a continuar procurando ajuda na igreja. Eu, com 15 anos, só pude aconselhar a esposa, porque havia lido o conteúdo da revista direcionada a mulheres cristãs.
No segundo episódio, avistamos um homem muito bonito e bem vestido caído na Av. Olegário Maciel. Ele tentava se erguer, segurando num fino tronco de uma planta fixa no passeio da rua. O pior de tudo, é que isso se dava diante de uma linda menininha de vestido rodado e laços no cabelo, que chorava impotente diante de seu pai ao chão.
Imediatamente socorremos a família. Atravessamos avenida e levamo-nos em casa, onde conhecemos a história de um homem recém separado, entregue ao desgosto e consolado pela bebida. Oramos e deixamos a mensagem do evangelho coma a família.
Certa vez uma doce voz falou ao meu ouvido: ” Hoje irá uma mulher endemoninhada em sua igreja”, continuei meu banho, me aprontei e fui à igreja como de costume. Eu estava escalada para a recepção. O culto já havia iniciado, tínhamos centenas de pessoas dentro do santuário, quando uma senhora retardatária chega, pega o boletim de minhas mãos e entra para o culto, saindo imediatamente dizendo não estar passando bem. Levamo-la para um recinto à parte e ali o inimigo se manifestou furiosamente. Oramos e a encaminhamos para um abrigo e posteriormente para um casa de recuperação.
Tivemos muitas outras experiências com expulsão de demônios e uma delas foi crucial para que eu colocasse Senhor em primeiro lugar na minha vida. Eu com 15 anos de idade e assídua à igreja, ouvi do inimigo: -Jovem, o que você está fazendo aqui na igreja? Vai dançar! Vá aproveitar sua vida!
(1988) Me casei, aos 17 anos e tive minha filhinha aos 19. Era natal, ela estava com 11 meses e fomos ao jantar em família, onde houve a oportunidade de parentes conhecerem a Suzana, uma bebê linda, gordinha e fofinha.
Voltamos para nosso apartamento e colocamo-la dormindo no bercinho, porém reparamos que ela estava agitada e gemendo . Meu marido foi preparar a mamadeira e nesse instante uma fraldinha caiu do varal e ele, ao pegá-la, escutou Deus falando: ” Ore por sua filhinha, hoje houve muita inveja na sua casa”.
Ele me comunicou e me chamou para orarmos por ela. Enquanto orávamos, ela seus gemidos foram diminuindo até cessar, eu porém fui acometida de uma tremura tão violenta que segurei com as duas mãos no berço e meu marido me amparou com seus braços, impedindo que eu viesse ao chão.
(1993) Eu estava sem auxílio nos serviços domésticos, com duas crianças pequenas, e fazendo faculdade à noite; quando minha filhinha começou a ficar amedrontada, vendo um palhaço ; que ela descrevia fazer careta, e correr pela casa. Suzana acordava a noite, não conseguia dormir e reclamava das visões. Em certa ocasião ganhou um velotrol que tinha um palhaço adesivado, ela gritou, chorou e recusou o presente.
A falta de sono e a rotina pesada estavam prejudicando minha saúde. Eu andava chorosa e exausta! Ouvia das pessoas que isso era medo que haviam colocado nela, até que uma mulher de Deus me falou: – Ore na sua casa, porque sua filha vê mesmo!
Eu levantei minha voz em oração, repreendi o demônio que se atribulava minha filha e para minha surpresa, ela veio correndo e gritando alegre: – mãe! o palhaço pilou a janela e foi embora!!!
Passamos a dormir e ter paz em nosso lar.
(2002) Passamos um dia alegre no clube com nossa comunidade religiosa. Tiveram batismos, cânticos, lazer e comunhão. Quando chegamos em casa, as crianças dormiram e eu e meu marido nos assentamos para conversar e compartilhar os planos que tínhamos como líderes de jovens.
Quando furiosamente, uma garrafa de suco de uva integral que estava na bancada da cozinha, explodiu espalhando cacos de vidro por todo recinto e suco até o teto. Pudemos visualizar a fúria do inimigo com a obra de Deus e seus servos.
(2003) Antes de me deitar, preparei a lição de jovens que eu iria lecionar na próxima EBD. E seu tema era “O Anticristo”.
Na manhã seguinte recebia a ligação de minha cunhada que havia assistido o filme “O advogado do Diabo” e gostaria de saber o que a bíblia falava sobre o Anticristo, pois ficou muito impactada.
Aproveitando seu interesse, convidei-a para irmos à Praça da Assembleia e levarmos nossas crianças, e assim fizemos!
Assentamo-nos no banco da praça enquanto nossas crianças, que somavam 5, brincavam de bola, areia e velotrol bem em frente a nós duas.
Iniciei a conversa sobre suas dúvidas bíblicas e disse : “- Sabe Marília, as pessoas tem a idéia de que Deus e o Diabo medem forças, mas isso é totalmente equivocado, pois Deus é infinitamente poderoso e permite que o Diabo aja até onde Ele permite”
Quando acabei de falar, um homem de veste social, sapato bico fino, chave do carro na mão; que vinha na nossa direção, parou em frente a nós e com os olhos estatelados de ódio perguntou em alta voz: – Você já viram Diabo alguma vez, para dizer que ele não tem poder? Ele tem poder sim!!! E vocês verão quando morrerem!!!
E da mesma forma que esse homem chegou, virou as costas e se afastou, indo embora!
(1991) Eu dava carona para uma colega de faculdade todos os dias até o ponto do ônibus, e nesse pequeno trajeto eu falava de Cristo para ela.
Um belo dia, ela me abordou dizendo que havia se convertido ao evangelho e que agora compreendia as minhas palavras.
Posteriormente sua irmã, seu noivo e seu cunhado também se converteram, depois de alguns anos pude contemplar uma família com dois filhos servindo a Deus e integrada à igreja local.
(1995) Eu estava com dificuldades em uma matéria na faculdade e tirei uma péssima nota na prova. Fiquei bem chateada, irada e reclamava com Deus. Assim que desci do ônibus no centro da cidade, avistei uma senhora pedinte com três crianças doentes na porta da igreja São José. As crianças pareciam ter paralisia cerebral.
Lembrei-me dos meus três filhos saudáveis que estavam confortavelmente em casa. Me envergonhei de mim mesma, diante da graça do Senhor na minha vida e de meus filhos.
Entendi que uma nota se recupera, mas a condição daquelas crianças não era reversível!